
Pitágoras era vegetariano. Muitos já ouviram falar disso, assim como eu, e, decidi procurar. Achei um livro chamado “Pitágoras e os pitagóricos” de Jean-François Mattél, que explica as razões que levou o Pitágoras a se tornar vegetariano (Vale lembrar que não é o foco do livro). Eu, como não sabia muita coisa sobre o universo vegetariano de Pitágoras, e muito menos sabia a razão pela qual ele se tornou vegetariano, encontrei o que o impulsionou a tornar-se alguém assim e que acabou por influenciar muitíssimos seguidores a fazer o mesmo. Pitágoras levou muita gente com ele nessa, seus discípulos praticamente o tratavam como algum tipo de santidade, pela sua genialidade.
Obviamente que vegano ele não era, acho que naquela época nem deveriam sonhar com isso (corrijam-me se estiver errada, vou ficar muito feliz em saber de algum pensador antigo, que pudesse ser vegan), no livro, cita que Pitágoras só andava de lã e “(…) Nutrindo-se de pão e mel, legumes crus e cozinhos, exceto de favas. (…)”
Mas, enfim, o que levou Pitágoras a ser vegetariano?
Pitágoras acreditava na reencarnação. Acreditava que os animais pudessem um dia reencarnar como seres humanos e que almas humanas podiam reencarnar em formas animais. Graças a essa crença, na escola de Pitágoras, havia a abstenção de carne. E diz a lenda, de acordo com seus discípulos e aqueles que o consideravam santidade, ele conversava com os animais e conseguia entrar num consenso com eles, como por exemplo, no livro, é citada as atitudes de persuasão que ele possuia, de conversar com um boi e pedir para que o mesmo não pastasse as favas, e que, em troca, iria protegê-lo do matadouro.
O legal é que, eu, particularmente, desconfiava se esses pensadores, poderiam comer peixe, pois, todos sabemos que, o vegetarianismo é tratado como se só fossem ignoradas as carnes vermelhas, de aves, enfim, menos os peixes. E logicamente que quem come peixe, não é vegetariano. E como não sei desde quando essa informação errada foi passada, cheguei a desconfiar que talvez, todos falassem que Pitágoras era vegetariano, mesmo sabendo que ele se alimentava de peixes. Descobri que não. Num trecho do livro, eles citam uma situação em que Pitágoras mostra respeito por esses animais aquáticos; uns homens querem que ele adivinhe a quantidade certa dos peixes, e a partir disso, Pitágoras faz uma aposta, dizendo que se conseguir acertar a quantia certa, os peixes voltariam pro mar:
“Encontrando pescadores à beira-mar, que acabaram de puxar uma pesada rede, Pitágoras dá a cifra exata dos peixes, sem se enganar se quer de um e, depois de ter pago, faz devolver toda a pesca ao mar. O milagre dos peixes precedeu em Crotona, onde logo triunfou o ginásio. Expôs aos jovens que é preciso honrar, no mundo, como na vida dos homens, aquilo que é anterior e preferir o começo ao fim (…)”
Fica subentendido que Pitágoras não comia peixe! =)
A questão final, é: Pitágoras tinha uma crença e por isso não comia animais. Mas, como ele chegou nessa crença? Não importa. Ele respeitava os animais e aprendeu a enxergá-los como seres que merecem respeito. O que quero dizer com tudo isso é que, eu, por exemplo, sou cética quanto à isso, assim como muitas pessoas vegetarianas o são. Mas, as razões para tornar-se vegetariano variam e o que importa é que, em um dado momento da sua vida, quando você se assume vegetariano, seja por questões de saúde, por religião, você passa a olhar aqueles animais de outra maneira. O respeito por eles é atingido, seja lá qual for a razão pela qual você deixou de comer carne. E esse é o ápice da questão. Ser vegetariano é lindo! Se um dia, um cara inventou uma religião em que, comer animais não é permitido, por seres humanos reencarnarem neles e vice-versa, meu amigo, esse cara conseguiu enxergar que os animais são seres sencientes, que possuem sentimentos, que tem medo, que gostam de carinho, que se parecem com os humanos à sua maneira.
Por fim, encerro com o que ele disse aos jovens:
“É preciso honrar, no mundo, como na vida dos homens, aquilo que é anterior e preferir o começo ao fim…”